Colaboradores

Fernando Valente (Moldes, 1952)

Diplomou-se em Composição no Conservatório de Música do Porto, onde é professor de Análise e Técnicas de Composição. Tem sido professor do Curso Nacional de Música Litúrgica nas suas últimas edições. Tem exercido funções no âmbito escolar para além da docência: Presidente da Assembleia de Escola do Conservatório de Música do Porto, Presidente do Conselho Pedagógico, Coordenador de Departamento, membro do Conselho Geral, entre outras. Tem assumido responsabilidades em várias iniciativas culturais, sobretudo relacionadas com a música, tais como no domínio da direcção coral (dirigiu o Coro da Universidade Portucalense Infante D. Henrique durante 15 anos), na programação e execução de vários projectos, membro do júri de concursos de composição, revisão de obras para publicação… Como compositor, tem obras escritas para diversas formações instrumentais e vocais, com algum privilégio dado à voz (solo, coral-instrumental, coro misto a capella, grupos infantis/juvenis), no domínio da música profana e sacra (tem larga colaboração com o Serviço Diocesano de Música do Porto). As suas obras têm sido executadas, publicadas e gravadas com regularidade.

João Santos (Leiria, 1979)

É Licenciado em Música Sacra pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa – Porto, onde estudou com Luca Antoniotti (Órgão), Eugénio Amorim (Composição e Direcção de Coro), Cesário Costa (Direcção de Orquestra), Anselm Hartmann (Piano), entre outros. É detentor de alguns prémios nacionais nas áreas de Órgão e Composição, entre os quais se destacam o segundo prémio no Concurso Nacional de Órgão do Instituto Gregoriano de Lisboa (2007). A nível internacional, contactou com célebres organistas como Theo Jellema, Wolfgang Zerer, Michel Bouvard, Jan Janssen, François Espinasse, Olivier Latry, Daniel Roth, entre outros. Participou ainda nos prestigiados concursos internacionais de órgão em Alkmaar, (Holanda, 2007), Freiberg, (Alemanha, 2009) e Innsbruck (Áustria, 2010). Efectua regularmente concertos por todo o país e  apresentou-se em recital a solo na Catedral de Westminster em Londres. Como compositor, a sua obra Tryptich para coro misto a cappella com divisi foi finalista no Simon Carrington Chamber Singers Choral Composition Competition (EUA). João Santos é pianista acompanhador do Contratenor Luís Peças, com quem, regularmente, se apresenta em concertos por todo o País, bem como em digressões no estrangeiro, nomeadamente França, Suíça, Brasil, Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra, Alemanha e Eslováquia. Dirige, desde a sua fundação, o Coro Municipal Carlos Seixas (Coimbra), e detêm a titularidade dos órgãos da Catedral de Leiria e do Santuário de Fátima.

 

 

Jovens compositores convidados


 

Bruno Ferreira  (Porto,1987)

Jovem compositor convidado de 2015

Bruno Ferreira é um compositor e produtor musical natural do Porto, Portugal. Paralelamente à sua vertente académica em Ciências Naturais, ingressa no Conservatório de Música do Porto em 1998 onde desenvolve os seus estudos musicais em Clarinete, Formação Musical, Análise e Técnicas de Composição, tendo, como professores, António Moreira Jorge, Luís de Carvalho, Paulo Maciel e João Heitor-Rigaud. Em 2008, ingressa na Banda Militar do Porto, onde executa funções de músico militar, e frequenta a Licenciatura em Música, variante Produção e Tecnologias da Música, na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do Porto (ESMAE), tendo, como professores, José Prata, Telmo Marques, Mário Azevedo e Luís Henrique. Licencia-se no verão de 2011 e em Setembro do mesmo ano, ingressa numa segunda Licenciatura em Música, variante Composição. Durante a sua formação, teve a oportunidade de trabalhar com Eugénio Amorim, Rui Penha, Dimitris Andrikopoulos, Daniel Moreira, Carlos Guedes, Filipe Vieira e Fernando Lapa. Paralelamente à sua atividade académica e profissional, desenvolve ainda, de forma regular, vários projetos musicais para cinema e publicidade, dos quais se destaca a sua colaboração como compositor/produtor musical no documentário “3 Horas para Amar”, realizado por Patrícia Nogueira e vencedor do 1º Prémio “PrimeirOlhar Ibertelco 2013”. Atualmente, frequenta o primeiro ano de Mestrado em Composição no Conservatório Real de Antuérpia, Bélgica, trabalhando com compositores como Wim Henderickx e Jorrit Tamminga.

Carlos Brito Dias (Braga, 1991)

Jovem compositor convidado de 2014

Após ter terminado o Mestrado em Artes, especialização em Composição, no Conservatório Real de Antuérpia (KCA) como aluno de Wim Henderickx, Luc van Hove, Jorrit Tamminga e Ivo Venkov, frequenta a Pós-graduação na mesma área de estudos da referida instituição. Licenciado em Composição pela Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do Porto, estudou com Fernando Lapa, Filipe Vieira, Dimitris Andrikopoulos, Eugénio Amorim, entre outros. Participou em várias masterclass com Filipe Lopes, Pascal Dusapin, Kaija Saariaho, Wolfgang Mitterer, Betty Olivero, Ivo Medek, Bruce Pennycook, Emmanuel Nunes e Marko Ciciliani. No âmbito de Fóruns organizados pela parceria ESMAE/Casa da Música, viu as suas obras Homenagem a um Fugidio Claro-Escuro lidas pelo Remix Ensemble sob direcção de Peter Rundel e a sua obra Sonho esteve presente na leitura da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, dirigida por Iker Sanchez. Fez parte do projecto 343eNSEMBLE, grupo de improvisação e música electrónica, em conjunto com alunos e professores da ESMAE. Participou no SoundMine, curso de Verão de composição, com Wim Henderickx culminando com sessões de leitura da sua obra a noite estrelada com a Royal Flemish Philharmonic. Ao nível da Pedagogia Musical realizou cursos com Jorge Prendas, Jos Wuytack, Pierre van Hauwe, Lenka Pospisilova, Cláudia Oliveira e António Miguel. Frequentou o Curso Livre de Composição – Orquestração com Dimitris Andrikopoulos. Participou na 7ª e 8ª edição do Estágio Internacional de Orquestra – Direcção de Orquestra com Jean-Sébastien Béreau e participou nas I Jornadas de Direcção Coral e Técnica Vocal Para Coros organizadas pela Universidade do Minho sob direcção de Ghislane Morgan e Lluís Vila. Destacam-se, também, as apresentações em concerto com o Coro e Orquestra da Sinfonieta de Braga. Carlos Brito Dias, iniciou os seus estudos no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian em Braga tendo estudado Piano com Fernanda Salema. Mais tarde, iniciou os seus estudos em Composição com André Ruiz e de Trompete com Fernando Ribeiro. Também frequentou o Curso Livre de Dança Clássica. Na sua obra encontra-se também música para Teatro (em colaboração com Tin.Bra) e para curtas metragens em filmes como “Checkpoint Sunset” de Pedro Ludgero e “A rapariga que imaginou um conto” de Sara Allen. As suas obras foram interpretadas em salas como o HardClub, Passos Manuel, Auditório Helena Sá e Costa, Museu Nogueira da Silva, Auditórios Adelina Caravana e Madalena Sá e Costa, Jardim de Inverno do Teatro S. Luís e deSingel.

 

Requiescat in pace


 

Joaquim dos Santos  (1936 – 2008)

No Seminário de Braga fez os Cursos de Humanidades, Filosofia e Teologia, e estudou música com o compositor e padre Manuel Faria. Em 1962 foi ordenado sacerdote, permanecendo no Seminário de Filosofia a leccionar música. Simultaneamente estudou no Conservatório de Música de Braga onde foi aluno de Luís Filipe Pires, Isabel Malaguerra e Rigaud de Sousa. Em 1963 ingressou no Pontifício Instituto de Música Sacra em Roma onde terminou, com Magna cum laude probatus, a Licenza in Canto Gregoriano. Foi bolseiro do Instituto Italiano da Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian. Estudou Órgão com Ferrucio Vignanelli, e Composição com Armando Renzi, entre outros e frequentou o Curso de Direcção e Interpretação Polifónica no Conservatório de Santa Cecília. Foi organista na paróquia Bambino Gesù e criou um coro infantil que executava obras populares italianas com harmonizações suas. Leccionou, ainda, no Colégio S. Pietro. Regressou em 1968 e dedicou-se, essencialmente, à Música Sacra, sobretudo na Arquidiocese de Braga, fundando, também, coros e grupos instrumentais. Participou, desde a fundação, na redacção da Nova Revista de Música Sacra. Foi professor de Canto Gregoriano, Órgão, Piano e Polifonia no Seminário Conciliar de Braga e de Composição, História da Música, Piano e Órgão no Instituto Superior de Teologia de Braga. Nas décadas de 70 e 80 empenhou-se na recolha e harmonização de canções populares da Região de Basto. Foi docente na EB 2.3 de Cabeceiras de Basto, onde criou parte substancial da sua obra didáctica para a infância, e na Escola Superior de Educação de Fafe. Nos anos 90, escreveu algumas das obras mais importantes do seu catálogo. Passio et mors DNJC secundum Lucam é, porventura, a única obra de grande envergadura, neste género litúrgico, escrita no século XX por um compositor português. Em 1999, foi agraciado com a medalha de Mérito Concelhio – grau ouro – do Município de Cabeceiras de Basto. O encontro com Santo António dos Portugueses em Roma (IPSAR), na viragem do século, timbrou uma nova fase na carreira de Joaquim dos Santos. Aqui foram apresentadas muitas das suas obras em primeira audição. Em 2006, o IPSAR homenageia-o com o projecto discográfico Cantabo Domino in Vita Mea. Paralelamente, em Portugal foi desafiado para novas composições. À Academia Valentim Moreira de Sá (Guimarães) foram confiadas várias apresentações em primeira audição, bem como à Universidade do Minho e à Universidade Católica (Braga). Joaquim dos Santos tem um vasto catálogo que se compreende desde simples harmonizações de temas populares, cânticos para a liturgia, passando pela música para diversos complexos instrumentais, até à música coral e sinfónica.

Manuel Faria (1916-1983)

Cónego e compositor bracarense nascido em 1916, Manuel Faria iniciou os estudos musicais no seu tempo de seminarista. Assimilou, desde cedo, modelos alternativos aos cânones de harmonia e composição e exibiu com êxito, nos meios académico-musicais religiosos, composições de sua autoria consideradas extemporâneas para a época. Em 1939, a arquidiocese de Braga apoiou o jovem seminarista, enviando-o para o Pontificio Istituto di Musica Sacra, em Roma. Depois da Segunda Guerra Mundial, conseguiu concluir a sua formação em órgão, canto gregoriano e composição sacra como bolseiro do Instituto de Alta Cultura. O Seminário de Braga aguardava o regresso do compositor presbítero para desempenhar as funções de professor de música. Contudo, ainda em 1945, Manuel Faria deu a conhecer obras de sua autoria interpretadas pelo Coro da Rádio Roma, num concerto que obteve bastante reconhecimento por parte da imprensa musical italiana. A enorme apetência para o conhecimento de novas experiências e a sua passagem por Paris, no regresso a Portugal, tornaram-no admirador dos compositores franceses de meados do Século XX. Manuel Faria soube incutir um espírito de renovação nos meios paroquiais do norte do país, já que a música, tal como afirmava, “antes de ser litúrgica tem que ser música”. Assim, ensaiou canto gregoriano na Sé de Braga e foi dinamizador de coros litúrgicos sem nunca ter descurado a faceta de compositor, tanto para música sacra como para música de câmara. Em 1949, o autor dos “cânticos litúrgicos” preparou no Palácio de Cristal, no Porto, um concerto por si dirigido, inteiramente dedicado à apresentação das suas obras, desde motetes “em estilo moderno” até às obras consagradas a coro e orquestra de câmara. A sua música foi conhecida na Áustria, país onde esteve durante algum tempo, tendo sido gravada pela rádio de Viena, em 1956, a Missa em Honra de Nossa Senhora de Fátima. Também o maestro Frederico de Freitas levou a sua música sinfónica para Baía e Recife, no Brasil. Em 1961, Manuel Faria tornou-se bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estabelecendo-se novamente em Itália para aprofundar estudos na área da Composição e proceder à divulgação da sua obra. Manuel Faria foi o responsável pela criação da Semana de Música Sacra em Braga e da Nova Revista de Música Sacra. Em 1972, recebeu o 1º Prémio do Concurso Nacional de Carlos Seixas. No que diz respeito à música de cariz profano, saliente-se as obras compostas sobre poesia de Antero de Quental e de Fernando Pessoa. Manuel Faria escreveu ainda uma ópera em dois actos, nunca estreada, na ocasião do 9º Centenário da Conquista de Coimbra aos Mouros. Em 1983, foi agraciado com o grau de Comendador de Santiago de Espada.

Fonte: http://www.mic.pt/